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  • JULIANE FERREIRA

Pesquisa inédita apresenta panorama de gênero no setor florestal brasileiro

Trabalho realizado pela Rede Mulher Florestal traz informações sobre a presença e atuação das mulheres nas empresas do setor florestal, e revela que organizações já começam a olhar para ações que promovam a equidade

A primeira pesquisa realizada no Brasil sobre gênero no setor florestal traz um panorama da realidade de metade da área de plantações florestais do país, localizadas em 12 Estados em todas as regiões, na qual estão 34 mil profissionais diretamente trabalhando no segmento. O levantamente inédito é resultado do trabalho realizado pela Rede Mulher Florestal com apoio da FatiFajar (Faculdade de Jaguariaíva, PR) e, segundo a organização responsável pelo estudo, revela um fato interessante: a mudança nas empresas já começou.


Apesar dos números mostrarem a disparidade da participação das mulheres no setor, o estudo revela que o olhar para a equidade começa a fazer parte da realidade das empresas. O levantamento mostra que, do total de profissionais representados pelas empresas respondentes, apenas 13% são mulheres. Entretanto, das organizações que participaram da pesquisa, 63% afirmaram possuir política de diversidade ou não discriminatória. Entre aquelas que não possuem política de diversidade formal (37%), a maioria afirma que busca a diversidade em suas práticas, independente de haver um documento formal orientando sobre o assunto.




Na avaliação da Rede Mulher Florestal, não basta aumentar o número de mulheres atuando no setor florestal. Esse, aliás, não seria o melhor indicador de equidade de gênero, segundo a organização não governamental. “É necessário entender a presença e a atuação das mulheres, assim como, agir com assertividade nas oportunidades e barreiras. As empresas precisam, por exemplo, identificar se os ambientes onde as mulheres estão inseridas são livres de discriminação e se existem canais seguros para reportar práticas abusivas e/ou discriminatórias”, afirma a presidente da Rede, Fernanda Rodrigues. Segundo o panorama, em 67% das empresas que responderam a pesquisa existem mecanismos para denunciar e eliminar casos de assédio sexual e discriminação com base no sexo, estado civil, maternidade/paternidade ou orientação sexual.


Outro ponto levantado pelo estudo é a necessidade de encorajar as profissionais para que se sintam confiantes em atuar em qualquer área do setor. Das mulheres que atuam nas empresas ouvidas, a maioria está alocada em atividades do viveiro, áreas ligadas ao Meio Ambiente, Qualidade, Certificação e Social, Pesquisa e Desenvolvimento e administrativo. Somente 9% estão em um cargo executivo e, em nenhuma das 24 empresas ouvidas, há mulheres no comando da organização. “São poucas ainda as que atuam nas áreas de silvicultura, proteção florestal/patrimonial, estradas e na área de colheita. Consideradas áreas tradicionalmente masculinas, é preciso entender se existem barreiras para a atuação das mulheres e como transpô-las. A premissa básica é que homens e mulheres podem atuar em qualquer cargo ou função – desde desejem e tenham a qualificação necessária”, sugere Fernanda.


O objetivo da Rede Mulher Florestal, segundo a presidente, é que as próximas edições do panorama aprofundem a análise e tragam mais recortes de dados desagregados de gênero, sendo uma fonte segura de informações para apoiar as empresas na tomada de decisão. “Iniciamos uma discussão que é urgente e necessária para o desenvolvimento do setor e do país. Basta olharmos dados divulgados mundialmente sobre os resultados positivos que a equidade de gênero pode gerar para as economias e para as comunidades. Esta ação também está alinhada com nossas linhas estratégicas de trabalho, inspiradas nos objetivos globais para as florestas da ONU além do ODS 5”, afirma Fernanda. A presidente se refere, por exemplo, aos dados apresentados pela consultoria McKinsey que mostrou que a igualdade de gênero poderia adicionar US$ 12 trilhões ao PIB mundial até 2025 e que as empresas com maior diversidade de gênero têm chances 15% maiores de ter resultados acima da média em qualquer mercado.


Metodologia

A pesquisa realizada em 2019 foi dividida em duas partes, uma qualitativa (tendo como fio lógico os indicadores de gênero da certificação FSC® – Forest Stewardship Council® e o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 da ONU) e outra quantitativa que visou identificar a presença das mulheres nas diferentes posições e áreas técnico-administrativas dentro das empresas florestais.

Para acessar o documento completo, visite a área Publicações no site da Rede Mulher Florestal.

Sobre a Rede Mulher Florestal

A Rede Mulher Florestal é uma organização não governamental, sem fins lucrativos ou vinculação partidária e atua como uma rede independente criada para promover a discussão para equidade de gênero no setor florestal. Atua em forma de rede, ao permitir que mulheres e homens ligados(as) ao setor florestal brasileiro tenham seu primeiro contato, ampliem, promovam e/ou compartilhem seu conhecimento sobre o tema gênero.

Para saber mais acesse www.redemulherflorestal.org.

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