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“Panorama mostra que participação feminina ainda é baixa, mas houve avanços”

Bárbara Bomfim é presidente da Rede Mulher Florestal e comenta dados apresentados no Panorama de Gênero 2023, que será lançado neste dia 05.




Como a RMF avalia os dados encontrados no levantamento do Panorama 2023, em uma perspectiva mais global das mulheres no setor florestal?


O Panorama mostrou que menos de 20% das pessoas que trabalham no setor florestal brasileiro são mulheres - sendo que algumas áreas de atuação têm menos de 5%.


Pelos dados obtidos de 32 organizações que representam cerca de 50% da área de plantações de árvores no Brasil e contribuem direta e indiretamente para a renda de mais de 150 mil pessoas, percebemos a magnitude do impacto de termos uma representatividade feminina ainda muito baixa no setor de base florestal.


Mas estes números até podem ser considerados como um avanço, pois historicamente o setor florestal, globalmente, é predominantemente masculino. 


Observamos, internacionalmente, crescente apoio ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável sobre igualdade de gênero (ODS 5), evidenciando um alinhamento crescente com metas globais. Porém, para alcançarmos equidade de gênero e uma verdadeira inclusão feminina na tomada de decisão ainda temos de acelerar o passo da transformação. 


O setor florestal, globalmente, têm papel fundamental numa transição a um mundo com mais equidade e menor pegada de carbono, por exemplo. Sem as mulheres participando ativamente desse processo, seguiremos falhando nessa urgente transição.



O que ainda pode ser melhorado dentro do setor florestal para atingir a meta de equidade de gênero pregada por órgãos internacionais e nacionais?


Dentre as várias melhorias necessárias, destaco: engajamento, ambição e comprometimento.


Percebemos que dentre as 32 organizações respondentes em 2023, apenas 10 participaram das três edições do Panorama de Gênero. Isso reflete o quanto ainda temos pela frente em relação ao engajamento de organizações do setor de base florestal no Brasil na agenda de equidade de gênero.


A ambição reflete onde cada organização quer chegar em termos de equidade de gênero: Quão ambiciosas são suas políticas internas de gênero? Ainda percebemos uma negação da importância da agenda de gênero quando participamos em eventos de mais alto nível no setor, porém nos conforta saber que as novas gerações estão vindo com tudo para mudar esse cenário.


Quanto ao comprometimento, sabemos que não adianta ter política de gênero se a mesma não é cumprida, reforçada e reavaliada com certa frequência. As organizações devem ter um plano estratégico detalhando como vão atingir sua ambição e como se dará essa jornada rumo à uma organização verdadeiramente inclusiva e equitativa.


Como ninguém faz nada sozinho, a Rede Mulher Florestal existe para apoiar as organizações no engajamento, construção de ambição e comprometimento com a equidade de gênero, não só internamente mas setorialmente.


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