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"A pior coisa que pode acontecer é decidirmos competir." Uma conversa sobre a colaboração entre mulheres na Engenharia Florestal.

há 15 minutos
3 min de leitura

Engenheira florestal, consultora e professora da Unesp, Zezé construiu uma trajetória marcada pela interdisciplinaridade, pela busca por transformar conhecimento em prática e pela convicção de que sucesso profissional não precisa significar abrir mão da qualidade de vida.

Quando ingressou no curso de Engenharia Florestal da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), em 1975, Zezé fazia parte de uma realidade muito diferente da atual. Em sua turma, havia apenas duas mulheres, em um período em que existiam somente três cursos de Engenharia Florestal em todo o Brasil. Natural de Campinas (SP), ela chegou à profissão quase por acaso. Inicialmente pensava em cursar Agronomia, mas escolheu Engenharia Florestal como segunda opção no vestibular. A decisão acabou definindo uma carreira de mais de quatro décadas dedicada à gestão ambiental, ao manejo de bacias hidrográficas, à conservação da biodiversidade e à construção de pontes entre diferentes áreas do conhecimento. Ao longo da vida profissional, Zezé atuou em projetos de cooperação internacional, realizou mestrado e doutorado, participou da criação do Programa de Monitoramento Ambiental em Microbacias (PROMAB) e se consolidou como uma referência na conexão entre ciência, gestão, políticas públicas e sustentabilidade. Mas, para ela, o aspecto mais importante da profissão sempre esteve nas interfaces. “Meu trabalho é ajudar a colocar em prática aquilo que a ciência produz. É operacionalizar conceitos”, resume.


Uma carreira construída fora das caixinhas

Enquanto muitos profissionais seguem caminhos tradicionais da Engenharia Florestal, Zezé construiu sua trajetória justamente nas áreas que conectam diferentes saberes. Ela transitou entre hidrologia, conservação, gestão ambiental, políticas públicas, biodiversidade e serviços ecossistêmicos, sempre buscando integrar conhecimentos e pessoas. Para ela, a riqueza da profissão está exatamente nessa diversidade de possibilidades. “Eu gosto de trabalhar na interface entre as disciplinas, justamente onde elas se encontram.” Essa visão também moldou sua atuação como professora, consultora e mentora de profissionais de diferentes áreas. Ao longo dos anos, aprendeu que inovação e transformação costumam surgir quando diferentes conhecimentos dialogam entre si.


Mulheres, liderança e qualidade de vida

Embora tenha iniciado sua carreira em um ambiente com poucas mulheres, Zezé passou a refletir mais profundamente sobre desigualdade de gênero ao longo dos anos. Uma situação marcante ocorreu quando descobriu que receberia menos que um colega homem pela mesma função. Sua resposta foi firme:

“Ou diminuem o valor dele para ficar igual ao meu, ou aumentam o meu.”

Para Zezé, igualdade significa respeito, oportunidades e reconhecimento. “Profissional é profissional, seja homem ou mulher.”

Ela também destaca a importância da saúde mental e da qualidade de vida, criticando a cultura do excesso de trabalho. “Você não precisa trabalhar 12 horas por dia para ser uma profissional reconhecida.” Para ela, é fundamental equilibrar carreira e vida pessoal, especialmente diante das múltiplas responsabilidades assumidas pelas mulheres.


Ela por ela

Que mensagem você deixaria para as mulheres que estão começando agora na carreira?

“Profissional é profissional, seja homem ou mulher. As mulheres têm habilidades que os homens não têm e vice-versa. Precisamos trabalhar juntos. A pior coisa que pode acontecer é decidirmos competir.”


Qual conselho você daria para você mesma no início da carreira?

“Não tente adivinhar qual conhecimento da faculdade você vai usar ou não, porque você vai errar. Confie em você mesma. Você veio ao mundo para ser feliz.”


O que considera essencial para construir uma carreira sustentável?

“Você não precisa trabalhar 12 horas por dia para ser uma profissional reconhecida. Você tem todo o direito de namorar, ter filhos e ser uma excelente profissional.” Aos 70 anos, Zezé continua aprendendo, ensinando e participando de projetos que conectam ciência, sustentabilidade e pessoas. Sua trajetória mostra que a Engenharia Florestal oferece muito mais possibilidades do que normalmente imaginamos — e que é possível construir uma carreira sólida sem abrir mão da colaboração, da curiosidade e da qualidade de vida.


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Esse é um texto do especial Mulheres que Inspiram, campanha da Rede Mulher Florestal para contar histórias de mulheres na área do setor florestal. Para ler mais histórias como essa, acompanhe nossas redes sociais (@redemulherflorestal no Instagram, Facebook e Linkedin) ou a nossa aba de notícias aqui no site.

 
 
 

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