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Primeira presidente mulher da ABAF, Mariana Lisbôa diz que trajetória profissional não foi linear

Atualizado: 24 de mai. de 2023

Os caminhos que a levaram à realização profissional foram marcados por eventos inesperados


Mariana Lisbôa, ainda pequena, sonhava em conquistar sua independência e liberdade financeira. Esse sonho grande foi inspirado na trajetória do seu avô, Rubem Nogueira, que teve um papel importante de incentivá-la na vida e na carreira profissional.


Hoje com seus 45 anos, a advogada soteropolitana é a responsável pela estratégia de internacionalização da Suzano, líder mundial de produção de celulose de eucalipto. Além disso, ela é a primeira mulher a ocupar a presidência da Associação Baiana de Empresas de Base Florestal (ABAF).


Muitas pessoas que admiram a Mariana dos dias de hoje enxergam nela o exemplo de um sonho alcançado. Os caminhos que a levaram à realização profissional, no entanto, foram marcados por eventos inesperados e desafiadores. Mariana engravidou e passou a se dedicar ao casamento e à filha, fatos que atropelaram sua ascensão profissional como inicialmente planejado.


Ao colocar seu caminho em perspectiva, no entanto, nega qualquer arrependimento. “Talvez eu não teria minha filha caso esperasse uma realização profissional”, comentou Lisbôa à Rede Mulher Florestal. “Contudo, por mais que meu sonho de me tornar uma profissional bem sucedida se mantivesse vivo, a minha trajetória não foi linear. Eu tive muitas dúvidas se queria mesmo advogar e em qual área. Pensei até em fazer concurso público”, completou.




Da Suzano para o mundo


Uma ligação telefônica veio mudar a sua vida. Do outro lado da linha era uma amiga que propôs a Mariana a oportunidade de uma vaga no jurídico ambiental de uma empresa. “Eu logo a informei que sabia nada de direito ambiental. Ela somente me respondeu: ‘Ué, mas sabe inglês? Isso já é o suficiente’. E como costumo dizer, fui escolhida pelo Direito Ambiental”, comentou.


O mundo corporativo abriu portas para Mariana que, em curto espaço de tempo, recebeu um convite para começar em uma posição de gerente regional na empresa de papel e celulose Suzano em Mucuri, município do extremo sul da Bahia. Na trajetória dentro da organização desde 2015, Lisbôa foi ganhando novos status e, com eles, novos desafios.


Primeiro, ela se tornou chefe nacional responsável por toda a área de Relações Corporativas da Suzano, incluindo a área de Licenciamento Ambiental. Depois, assumiu em 2021 uma posição global na companhia. O mesmo aconteceu com a ABAF, onde recentemente está na presidência – além de ser Diretora do departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP).


A executiva disse que chegou onde está graças a duas coisas: os estudos e as oportunidades que teve na vida – além das pessoas que a levaram a elas. “Não há dúvida de que o fator mais importante para que eu pudesse chegar aonde estou hoje foi a educação. Ela sempre me moveu a alcançar lugares que anos atrás uma mulher não ocuparia. E, com certeza, tive muitas pessoas que me apoiaram durante esse processo. Com esse apoio e vontade de aprender e crescer, eu pude me tornar a profissional que eu sonhava”, disse Lisbôa.




Um mundo ainda masculino


“A área de Relações Corporativas e Governamentais ainda é eminentemente masculina”, enfatizou Mariana. Ela acredita que, embora isso seja inaceitável em ambientes de alto nível, o preconceito contra mulheres no poder ainda existe de forma velada. E isso se desdobra na baixa participação feminina dentro do mundo corporativo e governamental.

“Como mulher e nordestina, tenho o dever de abrir caminhos para as mulheres que virão depois de mim, e que também desejam ocupar espaços de poder. Por isso, no meu time, busco impulsionar e potencializar a participação feminina, objetivo que compartilho com a Suzano”.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, apenas 37,4% dos cargos gerenciais são ocupados por mulheres nas empresas do país. Isso é inferior ao percentual de 2021, que era de 39,1%. A pandemia foi um dos fatores de retrocesso do avanço das mulheres nesses cargos.


“Há ainda muito a ser feito, eu sei, mas sinto um prazer imenso nessa minha jornada. E como me disse um jovem rapaz que entrevistei outro dia, parafraseando um compositor português, ‘eis que, no meu caso concreto, o próprio trajeto é também o destino’”, comentou a atual Head Global de Negócios Corporativos da Suzano.




Ela por ela


A inspiração: “Sem dúvida, minha maior inspiração é meu avô,, Rubem Nogueira. Ele foi um grande homem e jurista. Ocupou posições relevantes: professor de Direito, deputado estadual e federal, Procurador Geral de Justiça do Estado da Bahia, Consultor Jurídico do Ministério da Justiça.


Por isso, eu costumo dizer que empoderar mulheres é também papel dos homens. Desde pequena, meu avô me fez acreditar que eu seria capaz de chegar aonde eu quisesse e me muniu das ferramentas necessárias para que eu pudesse alcançar meus sonhos”.


Conselho a mulheres que estão começando na carreira: “Sabemos que o mercado de trabalho é um espaço difícil para as mulheres, especialmente quando se está começando uma carreira. É importante que você tenha atenção quanto aos espaços que você quer ocupar, estando atenta a ambientes em que a cultura organizacional potencialize esse desenvolvimento. Do contrário, os obstáculos serão ainda mais difíceis nesse processo”.

“Ah... e busquem aprender e desenvolver habilidades. Cheguei onde estou também porque eu sabia inglês.


Conselhos para mulheres que passam dificuldade na carreira: “Repito o que digo sempre: Nunca é tarde para você ser o que poderia ter sido. Portanto, siga voando!


O mercado não é um ambiente fácil para as mulheres, e isso se reflete em números: na discrepância salarial, na distribuição desigual de oportunidades e incentivos. Quantas mulheres, quantas pessoas negras, quantos nordestinos e nordestinas você conhece que ocupam cargos de liderança em multinacionais, por exemplo?


Quanto mais ‘rótulos’ você tem, maior é a dificuldade de ascensão. É o que chamamos de interseccionalidade de preconceitos. E eu mesma luto diariamente contra isso. A virada de chave está em fazer com que essas características sejam vistas como um “a mais”, e não como um “mas”. No dia em que as pessoas e organizações trocarem o “apesar de” para o “além de”, teremos finalmente evoluído.


“As pessoas e as empresas precisam enxergar a diversidade como um ganho e não como um desafio a ser transposto”.




 

Esse é o segundo texto do especial Mulheres que Inspiram, campanha da Rede Mulher Florestal para contar histórias de mulheres na área do setor florestal. Para ler mais histórias como essa, acompanhe nossas redes sociais (@redemulherflorestal no Instagram, Facebook e Linkedin) ou a nossa aba de notícias aqui no site.




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